segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Curso Bíblico da "Mater Ecclesiae"


ESCOLA MATER “ECCLESIAE”

Curso Bíblico
Léxico Bíblico

Vocábulos técnicos, específicos do linguajar exegético bíblico  

Amanuense: a pessoa que escreve quando lhe é ditado por outrem, sem colocar algo de próprio. Ver autor. 

Apócrifo: em grego, apókryphos quer dizer oculto. Tal era o livro não lido em assembléia pública de culto, mas reservado a leitura particular. Apócrifo opõe-se a canônico, pois canônico era o livro lido no culto público, porque considerado palavra de Deus inspirada aos homens. Ver inspiração.

Apócrifo não tem necessariamente sentido pejorativo. É simplesmente o texto que, por um motivo qualquer, não era de uso público; pode conter verdades históricas, como a da Assunção corporal de Maria SS. Aos céus. 

Apocalipse: do grego apokálypsis, revelação. É um gênero literário ou um modo de redigir escritos que têm as seguintes características: imagina o fim da história, por ocasião do qual o Senhor virá a terra sensivelmente para julgar os homens e restaurar a ordem violada. Esse aparecimento de Deus é assinalado por sinais no mundo, abalo da natureza, catástrofes... Tal gênero literário recorre freqüentemente a símbolos e imagens, que devem ser interpretados segundo critérios objetivos ou de acordo com a mentalidade dos escritores antigos. Determinado símbolo podia significar uma coisa para os antigos e pode significar outra parta os modernos. 

Apocalipse de São João é o nome de um apocalipse, que vem a ser o último livro da Bíblia. Há, entre os apócrifos, o apocalipse de Henoque, o de Elias... 

Aramaico: língua dos filhos de Aram (cf. Gn 10,22), muito próximo do hebraico. Tornou-se língua diplomática ou internacional no Oriente antigo a partir do século V a.C. Os judeus após o exílio (587-538 a.C.) a adotaram como língua corrente, reservando o hebraico para o culto sagrado. Havia o dialeto aramaico de Jerusalém e o da Galiléia (cf. Mt 26,73). Jesus e seus discípulos falavam aramaico.

Autor: a pessoa que concebe idéias ou o conteúdo de determinado escrito; é o responsável supremo pelo teor do seu livro. Tal é o caso de São Paulo em relação à ½ Ts, Gl, 1 Cor... 

Em alguns casos na antiguidade, o autor não escrevia diretamente, mas ditava a um companheiro, que escrevia. Este era chamado escriba ou amanuense. Ver escriba. 

Em outros, casos o autor não ditava, mas deixava ao companheiro a tarefa de compor e exprimir as idéias do autor. Tal companheiro então se chamava redator, pois era ele quem redigia a mensagem do autor. Há, por exemplo, quem admita que Hb teve como autor São Paulo e, como redator, um discípulo de Paulo, como seria Apolo ou Barnabé.  

Bíblia: a palavra vem do grego bíblos, livro. O diminutivo é bíblion, livrinho, que no plural faz bíblia, livrinhos. O diminutivo perdeu sua força própria com o passar do tempo, de modo que bíblia ficou sendo simplesmente o mesmo que livros. A Bíblia é, pois, etimologicamente falando, uma coleção de livros.  

Bispo: é o sacerdote que mais participa do sacerdócio de Cristo, estando colocado no grau supremo do sacramento da Ordem. Abaixo dele vêm os presbíteros e, a seguir, os diáconos. 

Enquanto os apóstolos viviam, eram eles os pastores ambulantes de toda e qualquer comunidade cristã. Em cada uma destas instituíam um colegiado de presbíteros            (= anciãos, em grego), também chamados “superintendentes” ou “vigilantes” (epískopoi, em grego); cf. At. 14,23; 11,30; Tt 1,5; Fl 1,1; At. 20,17.28. Governavam a comunidade sob a jurisdição dos Apóstolos. Com a morte dos Apóstolos, as comunidades passaram a ser governadas por um pastor residente, escolhido dentre os presbíteros ou epíscopos (superintendentes). Esse pastor supremo local ficou exclusivamente com o nome de epíscopo (= bispo), ao passo que os membros do colegiado subalterno ficaram sendo chamados exclusivamente presbíteros (= padres, no sentido de hoje). No início do século II, isto é, nas cartas de S. Inácio de Antioquia (+ 107) se registra a existência do episcopado monárquico como ele é hoje.  

Cânon: do grego kanná, caniço. Significa medida, régua; em sentido metafórico, designa regra ou norma de vida (cf. Gl 6,16). Os antigos falavam do cânon da fé ou da verdade, para designar a doutrina revelada por Deus, que era critério para julgar qualquer doutrina humana e para nortear a vida dos cristãos. Derivadamente cânon significava também catálogo, tabela, registro; neste último sentido os cristãos passaram a do cânon bíblico ou da Bíblia (= catálogo dos livros bíblicos). 

Protocanônico é o livro que sempre pertenceu ao cânon ou catálogo. Deuterocanônico é o escrito que primeiramente foi controvertido e só depois entrou definitivamente no cânon sagrado. Próton = primeiro (da primeira hora). Déuteron = segundo (em segunda instância). 

Carisma: do grego chárisma, quer dizer dom em geral. Já nas epístolas de São Paulo carisma é dom para tal ou tal tipo de serviço; cf. I Cor 12,7; 14,26-31; Ef 4,12-16. O dom das línguas, por exemplo, nada vale se não há quem as interprete para o serviço e a edificação dos ouvintes; cf. I Cor 14,5-13. Existe os carismas da profecia, das curas, do governo, do apostolado... Mas o melhor carisma é o da caridade (ágape), que não produz espalhafato, mas tudo perdoa, tudo crê, tudo suporta (I Cor 13,7). Muitos carismas nada têm de portentoso: o de assistir aos enfermos, o de educar crianças, o de instruir os ignorantes, o de liderar um grupo...  

Catecúmeno: pessoa submetida à catequese ou ao ensino sistemático da fé cristã. Geralmente o catecumenato precedia o batismo de adultos e foi rigorosamente aplicado até o século V.  

O catecumenato e a catequese supunham o kérygma ou querigma, anúncio sumário e muito vivaz da Boa-Nova de Jesus Cristo; quem aderisse a essa mensagem breve, era levado à catequese. Como exemplos de querigma, temos os discursos de S. Pedro em At. 2,14-36; 3,11-26; 4,8-12; 5,29-32... Como exemplo de catequese, citem-se Mt 5-7 (o sermão da montanha), Mt 13 (as sete parábolas do Reino), Lc 15 (as três parábolas da misericórdia)... 

Chalon: palavra hebraica que significa Paz. Em hebraico tem sentido muito mais rico do que em português: não significa apenas “ausência de guerra”, mas “bem-estar, harmonia do homem com Deus, com a natureza e consigo mesmo”. Os profetas bíblicos tinham consciência de que o pecado introduzira a desordem no mundo; em conseqüência anunciavam a paz; esta seria o grande dom do Messias; cf. Ml 5,4; Is 9,5s. No Novo Testamento, diz São Paulo que Cristo é a nossa paz; Ele fez de dois povos (judeus e pagãos) um só povo ou um só corpo (Ef 2,14-22). Por isto Cristo, vitorioso sobre a morte após a ressurreição, deixou aos apóstolos a sua paz, junto com o dom do Espírito Santo e o poder de perdoar os pecados (Jo 20,19-23); são estes que se opõem à paz dos homens com Deus e entre si. Temos que tornar realidade crescente essa paz de Cristo na terra: “Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus” (Mt 5,9). “O nome da cidade “Jerusalém”, símbolo da bem-aventurança final (AP 21,9-27), é interpretado como visão da paz”.  

Cheol: os judeus chamavam cheol um lugar subterrâneo, por eles imaginado, onde estariam, inconscientes ou adormecidos, todos os indivíduos humanos após a morte. A terra era tida como mesa plana, debaixo da qual se encontraria a “mansão dos mortos”; esta em grego era chamada Hades; em latim, inferni (da preposição infra, que significa abaixo; donde inferni = inferiores lugares). 

Em conseqüência, os antigos judeus não podiam admitir retribuição póstuma nem para os homens bons nem para os infiéis, pois todos se achavam inconscientes; ver, por exemplo, Jô 14,21s; 21,21; Is 14,10; 38,18; 63,18; Sl 6,6; 29(30),10... A justiça divina, segundo tal concepção, devia exercer-se no decorrer mesmo da vida presente; os homens fiéis seriam recompensados com saúde, vida longa, dinheiro..., ao passo que os pecadores sofreriam doenças, morte prematura, miséria...

Com o tempo as concepções antropológicas dos judeus foram-se esclarecendo, de modo que já no século II a.C. admitiam a ressurreição dos mortos e a retribuição final para bons e maus depois da morte. Ver Dn 12,2s: “Muitos dos que dormem no país do pó acordarão, uns para a vida eterna, e outros para o opróbrio, para o horror eterno. Os sábios resplandecerão como o esplendor do firmamento; e os que tornaram justos a muitos, como as estrelas por toda a eternidade refulgirão” (cf. II Mc 7,9.11.14).

No tempo de Jesus os judeus já admitiam sorte póstuma diferente para os bons e os maus; veja-se, por exemplo, a parábola do ricaço e do pobre Lázaro, em Lc 16,19-31, onde aparece a separação de uns e outros. Na terminologia cristã latina, a palavra infernos ficou reservada para designar a sorte póstuma dos réprobos. Todavia a topografia do além, supondo terra plana e compartimentos subterrâneos para bons e maus, está superada. A fé cristã professa a realidade da vida póstuma ou a subsistência da alma humana após a morte, mas não pode indicar lugar determinado para o céu e o inferno (o que não esvazia em absoluto os conceitos respectivos).  

Circuncisão: oblação ou retirada do prepúcio feito com um cutelo de pedra (cf. Js 5,3). Originariamente, fora de Israel, era um rito de integração do menino no clã e de iniciação ao matrimônio. No século XIX a.C., com Abraão, a circuncisão veio a ser o sinal da aliança do israelita com Javé. Através dos tempos, os profetas insistiam na espiritualização da circuncisão, que deveria coincidir com a conversão do coração; cf. Jr 4,4; 6,16; Dt 10,16; 30,6. 

Concílio: é uma reunião de pastores da Igreja ou de rabinos da Sinagoga, destinada a tratar de assuntos doutrinários ou disciplinares. Pode ser regional ou local, se congrega apenas os responsáveis de uma determinada região. É ecumênico (ou universal) quando reúne os bispos do mundo inteiro. Diz-se que o primeiro Concílio da história da Igreja foi o de Jerusalém (At. 15), embora só uma minoria dos Apóstolos tenha lá comparecido; no ano de 49, vários dos Apóstolos já se tinham dispersado para pregar o Evangelho. 

Epíscopo: ver bispo.

Escatologia: é a doutrina referente ao eschatón ou aos últimos acontecimentos ou ainda a consumação da história. Esta pode ser coletiva (a consumação da história da humanidade ou o fim do mundo), como pode ser individual (a consumação da história terrestre ou da peregrinação de determinada pessoa). 

Escatológico é o que se refere aos últimos acontecimentos. Perspectiva escatológica, por exemplo, é a consideração dos fatos presentes à luz da eternidade ou da consumação para a qual tendem. Bens escatológicos são os bens definitivos já presentes em meio ao tempo.  

Escriba: entre os cristãos, é o amanuense, que escreve quando lhe é ditado; tal foi o caso de Tércio (cf. Rm 16,22). Entre os judeus, os escribas eram aqueles que, desde o tempo de Esdras (século V a.C.), eram entendidos nas coisas da lei; por isso eram também chamados “legisperitos” ou “doutores da lei” (cf. Lc 5,17); Mt 22,35). Os escribas tiveram grande influência na vida do povo judeu. 

Exegese: do grego exégesis, explicação, explanação. É a arte de expor ou explicar o sentido de determinado texto, especialmente da Bíblia; para ser rigorosamente conduzida, requer o estudo de línguas, história, arqueologia... orientais. Segundo São João     (Jo 1,18), Jesus é o grande exegeta do Pai, pois Ele nos revelou (exegésato) o Pai. 

Exegeta é a pessoa que cultiva a exegese. 

Geena: vem de Ge-hinnam, em aramaico. Nos arredores de Jerusalém havia um vale (ge’, em hebraico) pertencente aos filhos de Hinnom (bem-hinnom). Donde ge’-bem-hinnom ou ge’hinnom, em hebraico. Nesse vale se sacrificavam crianças ao deus Maloc, da Babilônia; cf. II Rs 16,3; 21,6; Jr 32,35. Depois do exílio (587-538 a.C.), os judeus lá queimavam seu lixo. Por isso, o ge’hinnom ou a ge’hinnam era um lugar de fogo. Jesus se serviu do vocábulo para designar a sorte póstuma dos que negam a Deus; cf. Mc 9,43.45.47. 

Obs.: Trata-se de uma cópia fiel do Curso de Formação bíblica da ESCOLA “MATER ECCLESIAE”, elaborado pelo Pe. Estevão Tavares Bettencourt O. S. B.

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